Marcadores

Mostrando postagens com marcador Língua Portuguesa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Língua Portuguesa. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de maio de 2022

O que é "bruaca", apelido de Maria, vivida em Pantanal por Isabel Teixeira, filha de Renato Teixeira? Você sabe?

Lídia Maria de Melo

A palavra bruaca voltou à moda, com a nova versão da novela Pantanal, sucesso de audiência em 1990 na hoje extinta TV Manchete. Pode ser um substantivo que nomeia sacos ou malas de couro, usadas no transporte de mercadorias em cavalos e jegues. É também empregada, pejorativamente, para designar uma mulher feia e vulgar. O Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, indica que a palavra é usada ainda com o sentido de "mulher velha; bruxa; megera". Esse é o sentido pejorativo utilizado pelo personagem Tenório, interpretado pelo ator Murilo Benício, quando se refere à mulher dele, Maria, a quem ele rejeita e trata mal. Por sinal, a personagem Maria é vivida por Isabel Teixeira, filha do compositor, cantor e violeiro Renato Teixeira, nascido em Santos e criado em Taubaté, que fez uma pequena participação em Pantanal. Isabel foi a médica Jane na novela Amor de Mãe, que acabou assassinada por Telma (Adriana Esteves). Na versão de Pantanal em 1990, quem deu vida a Maria Bruaca foi Ângela Leal, mãe da também atriz Leandra Leal.

terça-feira, 15 de março de 2022

Doença é causa natural de morte? Falecimento do ator William Hurt suscita essa dúvida

 Lídia Maria de Melo (foto e texto)

O que é morte por causa natural? O falecimento do ator estadunidense William Hurt, no último domingo, provocou dúvidas nesse sentido. Hurt recebeu o Oscar de Melhor Ator, em 1985, por seu papel no filme O Beijo da Mulher Aranha, dirigido por Hector Babenco e também estrelado pela atriz Sônia Braga.
Em nota publicada em uma rede social, o filho do ator informou que o pai morreu de causas naturais. Muitos órgãos de imprensa repetiram a mesma informação.
Leitores e telespectadores passaram a questionar a expressão "causas naturais", já que em 2018 circulou a notícia de que o ator apresentava metástase de um câncer de próstata.
Pois bem, a elucidação está na tanatologia, ou seja, estudo científico sobre a morte. A medicina legal  também explica.
De acordo com essas duas áreas, as mortes provocadas por doenças são classificadas como naturais, pois resultam de uma falência do próprio organismo. Ou seja, é natural que um dia todo ser humano morra.
Já a morte violenta decorre de um ato praticado por outra pessoa (caso do homicídio), pela própria pessoa (suicídio) ou por um acidente de qualquer gênero (trânsito, drogas, queda etc). As mortes violentas são sempre motivos de investigação.
Agora, você já sabe: quem morre em consequência de uma doença, conforme a linguagem técnica, tem uma morte provocada por causa natural.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Polissemia da palavra chocolate


Imagem de Domínio Público - Pixabay 
Lídia Maria de Melo
As palavras podem ser polissêmicas. Ou seja, adquirem sentidos diversos.
Polissemia, na definição do Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, é a multiplicidade de significados para um mesmo significante. 
"Chocolate", por exemplo, é aquele doce em barra ou bombom, feito de cacau, açúcar e baunilha, que dá prazer ao paladar. 
Pode ser também a bebida resultante da mistura de leite e pó de cacau. 
No futebol, quando se diz que um time "toma um chocolate" significa que perdeu de goleada da equipe adversária.
"Chocolate" era também o nome artístico do comediante e compositor Dorival Silva, falecido há 30 anos. 
Dependendo do contexto, a palavra "chocolate" pode ganhar novos sentidos.
Tanto sentidos amargos, quanto obscuros! 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Conheça o sentido da expressão jurídica "reduzir a termo"

 Lídia Maria de Melo
A linguagem técnica, por vezes, prega uma peça em não iniciados.
Não raro recém-formados de determinadas áreas recebem seus diplomas após quatro, cinco anos de curso, e logo descobrem que desconhecem o significado de alguns vocábulos e de algumas expressões correntes entre profissionais da área.
Um exemplo de expressão que pode deixar recém-formados de cabelo em pé é "reduzir a termo", muito comum na Justiça do Trabalho.
Vejamos os artigos 731 e 786 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), Decreto-Lei nº 5.451, de 1.º de maio de 1943 (que já passou por diversas alterações ao longo dos anos, como as da Reforma Trabalhista, de 2017):

Art. 731 - Aquele que, tendo apresentado ao distribuidor reclamação verbal, não se apresentar, no prazo estabelecido no parágrafo único do art. 786, à Junta ou Juízo para fazê-lo tomar por termo, incorrerá na pena de perda, pelo prazo de 6 (seis) meses, do direito de reclamar perante a Justiça do Trabalho.

 Art. 786 - A reclamação verbal será distribuída antes de sua redução a termo.
Parágrafo único - Distribuída a reclamação verbal, o reclamante deverá, salvo motivo de força maior, apresentar-se no prazo de 5 (cinco) dias, ao cartório ou à secretaria, para reduzi-la a termo, sob a pena estabelecida no art. 731.

No artigo 731, com grifo nosso, aparece "tomar por termo". O caput (cabeça, em latim) do artigo 786 emprega "redução a termo", enquanto, no parágrafo único, usa-se "reduzi-la a termo".
O estudante que não teve a curiosidade de indagar o professor sobre o significado da expressão, ou  ficou inibido, ou ainda não pesquisou um glossário jurídico, tornou-se bacharel em Direito sem ter aprendido (e entendido) algo importante à sua formação.
Pois a expressão indica que o reclamante, ou autor de uma ação trabalhista, após usufruir do direito de registrar sua reclamação oralmente na Justiça do Trabalho, sem ser representado por advogado, deve retornar em cinco dias ao cartório, para ler e assinar a petição inicial redigida por servidores do Setor de Atendimento.
Ou seja, "reduzir a termo" significa que a reclamação oral foi escrita em forma de petição pelos servidores da Justiça do Trabalho, já que o autor não se valeu de um advogado, e posteriormente assinada pelo reclamante.
Nesse caso, reclamante e autor são palavras sinônimas.

SIMPLIFICAÇÃO

Na Lei 9.099, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre Juizados Especiais Cíveis e Criminais, prevalecem a simplificação e a celeridade no atendimento ao cidadão.
Com base nesses princípios, o artigo 14 dessa lei estabelece que o processo será instaurado por escrito ou oralmente, de forma simples e linguagem acessível (§ 1º.).
O interessado poderá formular pedido oral.
Nesse caso, dispõe o §3º., esse pedido será ''reduzido a escrito" pelos servidores da Secretaria do Juizado. Na prática, estagiários da área de Direito também redigem, sob a supervisão de professores de universidades conveniadas.

Art. 14. [..]
§ 3º O pedido oral será reduzido a escrito pela Secretaria do Juizado, podendo ser utilizado o sistema de fichas ou formulários impressos

Em vez de "reduzido a termo", o texto da Lei dos Juizados Especiais emprega a expressão "reduzido a escrito", que é mais objetiva, simples e adequada à sua filosofia.



quinta-feira, 4 de abril de 2019

Reforma ortográfica: regras para todos, sem exceção

Em 15 de julho de 2007, publiquei na edição de domingo do jornal A Tribuna, de Santos, o comentário a seguir, motivado pela reforma ortográfica da Língua Portuguesa que estava em curso e entraria em vigor em 1.º de janeiro de 2009. 
Reproduzo abaixo, com a ortografia da época.
Leia também as regras da reforma, explicadas por mim em matéria publicada no jornal A Tribuna, na edição de 31 de dezembro de 2008 (clique na imagem e faça download)
.



Matéria jornalística de minha autoria,
publicada no jornal A Tribuna,
em 31 de dezembro de 2008.
Fazer download para ler.
Regras para todos, sem exceção

                LÍDIA MARIA DE MELO (*)

Quando a reforma ortográfica de 1971 entrou em vigor em janeiro do ano seguinte, foi um deus-nos-acuda para desaprender o que já estava memorizado.  
Entre inúmeras outras alterações, palavras como ele, eles, flores, cor, cores, vezes, meses, estrela, por exemplo, perderam os acentos circunflexos diferenciais. A justificativa era que o contexto determinaria a pronúncia aberta ou fechada da vogal e os sentidos dos vocábulos.  
Aurélio Buarque de Holanda Ferreira discordou. Em seu dicionário, manteve o circunflexo no verbete fôrma, sob o argumento de que o contexto literário não seria suficiente para diferenciá-lo de forma.  
Para comprovar sua tese, citou trecho de um poema de Manuel Bandeira (‘‘Vai por cinqüenta anos/ Que lhes dei a norma:/ Reduzi sem danos/ A fôrmas a forma’’) e outro de Martins Fontes (‘‘Pela penugem, primeiro/ E, depois, segundo a norma,/ Pelo gosto, pelo cheiro,/ Pela fôrma, ou pela forma,/ Certas frutas européias,/ Como pêssego — oh! prazer —/ Por vezes nos dão idéias/ Que me acanho de dizer’’).  
Sem o circunflexo em fôrma, os poemas ficariam mesmo deturpados. Ainda assim, oficialmente prevaleceu o que a Lei 5.765, de 18 de dezembro de 1971, determinou. E mestre Aurélio tornou-se um transgressor.  
Já a futura reforma suscita outras reflexões. As regras de acentuação, com ou sem mudança, continuarão regendo indistintamente nomes próprios e comuns. Para a norma atual que manda acentuar todas as paroxítonas terminadas em ditongos e em L, N, R e X, além das proparoxítonas, não está prevista alteração. 
Será permitido, por exemplo, que se escreva António (com acento agudo, na grafia e pronúncia de Portugal) ou Antônio (com circunflexo, à maneira do Brasil), mas Antonio (sem acento), não.  
Diante disso, qual é — ou será — a justificativa para que cartórios de registro civil e outros órgãos emissores de documentos pessoais insistam no erro de grafar sem acento uma série de nomes? A lista é extensa e inclui: Cármen, César, Válter, Sílvia, Sérgio, Sônia, Cláudia, Lígia, Márcia, Éder, Glória, Fátima, Débora, Ângela, Nícolas, Hércules e o próprio Antônio, entre tantos outros.  
Se a lei não for cumprida, quem terá direito de impedir que um pai registre um filho com nome esdrúxulo?   
As regras de um idioma preveem muitas exceções, mas o cumprimento delas é exigido de todos.

(*) A JORNALISTA LÍDIA MARIA DE MELO É EDITORA DE LOCAL DE A TRIBUNA, ALÉM DE LICENCIADA EM LETRAS (COM HABILITAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURAS DA LÍNGUA PORTUGUESA) E MESTRE EM CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO PELA USP.


Atenção: É proibida a reprodução dos textos e das fotos deste blog em qualquer meio de comunicação, impresso ou escrito, sem autorização da jornalista Lídia Maria de Melo. Esta advertência está  amparada pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

No âmbito jurídico, dizer que desembargador é "incompetente" não configura ofensa. E plantonista não é estagiário

Lídia Maria de Melo
Quando um assunto jurídico ocupa espaço na mídia, normalmente são empregados termos cujos 

significados provocam dúvidas na população.
Um exemplo é a palavra "competência" e seu antônimo "incompetência". Ou ainda o adjetivo "incompetente".
Para que você, leitor, tenha essas dúvidas dirimidas, trazemos uma explicação.  

Em termos jurídicos, juiz, desembargador ou tribunal competente é aquele tem poder para julgar um caso, dentro dos limites estabelecidos pela legislação.
Ou seja, quando se diz que um juiz, desembargador ou tribunal é incompetente para apreciar um caso, isso significa que a atribuição do julgamento é de outro. 

Por exemplo: se você precisar reivindicar um direito trabalhista na Justiça, sua ação deverá ser ajuizada na Justiça do Trabalho. Não poderá recorrer a uma Vara Criminal, da Justiça Estadual, que julga casos de violação à lei penal.
Se sua ação é contra o INSS, deverá ser ajuizada na Justiça Federal, porque é dela a competência de julgar um tema relacionado a um órgão federal.
É apenas isso.
Incompetente, no âmbito jurídico, não é ofensa ou desqualificação.


Plantonista
Outro esclarecimento importante envolve o termo "plantonista", diante do conflito surgido neste domingo, 8 de julho de 2018, em função da concessão de Habeas Corpus, em favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por um desembargador do TRF-4 
Juiz ou desembargador plantonista não é o mesmo que estagiário, como internautas passaram a escrever em redes sociais.
A palavra plantonista, nesse caso, só se refere ao que está trabalhando, de plantão, enquanto todos os demais estão de folga ou de férias.
Todos os desembargadores do TRF-4 têm a mesma hierarquia. O único que está acima, em termos de impasse em decisões, é o presidente do Tribunal durante sua gestão. 

domingo, 3 de dezembro de 2017

Até 1971, a palavra "moça" tinha acento circunflexo, para diferenciar da terceira pessoa do singular do verbo moçar

Lídia Maria de Melo

No dia 3 de dezembro de 1967,  há exatos 50 anos, o cirurgião sul-africano Christiaan Barnard surpreendia o mundo ao realizar,  na Cidade do Cabo, na África do Sul. o primeiro transplante de coração da história da humanidade.
A doadora era uma bancária de 24 anos, que o Jornal da Tarde identificou, na edição do dia seguinte, como Ann Darvall. Em outros veículos, consta Denise Darvall. 
O receptor  era o comerciante Louis Washkansky, cuja idade foi publicada pela imprensa de modo diverso. A informação variou de 53 a 55 anos. Na verdade, nem tão velho assim.
Em São Paulo, a manchete da primeira página do Jornal da Tarde, de 4 de dezembro de 1967, chamou a atenção pelo estilo irreverente: "Coração de môça salva velho".
Não obstante o feito histórico, para este blog, o que merece comentário é o título da reportagem principal. Nele, a palavra "moça" é grafada com acento circunflexo na letra "o". 
De pronto, devemos esclarecer que não há engano nessa grafia.
Até dezembro de 1971, o substantivo "môça" recebia o sinal gráfico, também denominado acento diferencial, para que não fosse confundido com a terceira pessoa do singular do verbo "moçar". Ou seja,
"moça", com pronúncia aberta no "o".

De modo geral, marcavam-se com acento circunflexo o "e" e o "o" tônicos fechados de palavras que possuíam homógrafas com "e" e "o" abertos.
Pelo dicionário Aurélio, "moçar" tem sentido de "tornar moça, meretriz ou prostituta" e "desvirginar"
Com a reforma ortográfica de 1971, os acentos diferenciais foram abolidos, porque os linguistas consideraram que o contexto seria mais eficiente do que o sinal gráfico, para distinguir os sentidos das palavras homógrafas (com a mesma grafia).
Foi assim que "moça", como tantas outras palavras, a partir de então, perdeu o acento circunflexo.  


.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Completam-se 28 anos da queda do Muro de Berlim.
A concordância verbal está certa?

Lídia Maria de Melo
O blog acaba de receber mais uma pergunta sobre concordância verbal.
O leitor indaga:  _ Está correto o uso do verbo "completar" nesta frase: “Amanhã, completam-se 28 anos da queda do Muro de Berlim.” ? 


Resposta:
Sim, está correto. O verbo que não pode ser flexionado quando se refere a tempo é o "fazer". Portanto, o verbo ficaria na terceira pessoa do singular se a frase fosse esta: "Amanhã, faz (ou fará) 28 anos da queda do Muro de Berlim". 

Então, alguém pode perguntar: Por que o verbo "fazer" fica no singular, enquanto "completar" é usado no plural?
Porque o verbo "fazer", referindo-se a tempo, é impessoal. Não há sujeito na frase da questão. Já o verbo "completar" concorda com o sujeito "28 anos".

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

"Entre isso e aquilo" ou "entre isso ou aquilo"?

Lídia Maria de Melo
Outro dia, uma jornalista que foi minha aluna, enviou-me esta pergunta sobre o emprego da preposição "entre":
Professora, escrevi um texto usando ENTRE: "Quem tiver contas a pagar vai ter que escolher entre colocar comida na mesa e honrar os compromissos financeiros."
Aí o editor corrigiu: "Quem tiver contas a pagar vai ter que escolher entre colocar comida na mesa ou honrar os compromissos financeiros".
Fiquei na dúvida! Entre isso e aquilo OU Entre isso ou aquilo?
                                                                 ***
Esclareci a questão com esta resposta:
Uma das acepções da preposição "entre" é "a meio de" (dois espaços, dois tempos, duas situações etc).
Dessa forma, citando um exemplo do dicionarista Antônio Houaiss, podemos dizer: "O livro estava entre a mesa e a estante".  E ainda: "Está em dúvida entre a primavera e o outono".
Com base nesses enunciados, referendados por um dos maiores filólogos brasileiros, podemos concluir que você escreveu corretamente.
Seu editor deve ter se confundido com a expressão "ou isso ou aquilo" (sem "entre"). Utilizando a preposição "entre", o correto é como você usou, ou seja, com a conjunção "e".
Para empregar o "ou", o enunciado deve excluir o "entre". Desta forma : "Quem tiver contas a pagar vai ter que escolher: (DOIS PONTOS) ou colocar comida na mesa, (VÍRGULA) ou honrar os compromissos financeiros".
Reforçando, o correto é "entre isso e aquilo". 
Um abraço.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Prefixo pré- exige o emprego do hífen

Lídia Maria de Melo
Uma dúvida atormenta um amigo: - Qual é a forma correta: pré-assar, pré assar ou préassar?
Procura resposta no Dicionário da Academia Brasileira de Letras e não encontra.
Como tinha pressa, optou por escrever "assar previamente".
Foi uma boa solução, mas a dúvida inicial continuou.
Enviou-me uma mensagem por uma rede social, vista por mim somente dois meses depois. 
Tudo bem. Antes tarde do que nunca.
Mandei a ele a explicação. E aproveito para deixar aqui, para acesso livre.
Sempre que o prefixo "pré" (com acento agudo) for utilizado, o hífen será obrigatório. Então, a grafia correta é "pré-assar", "pré-assado".
Meu amigo não conseguiu encontrar no dicionário, porque se trata de uma junção ocasional.
Certamente, ele encontraria "pré-escola", "pré-natal", "pré-nupcial", porque designam, respectivamente, um curso, um tipo de exame para gestante e um tipo de exame para noivos. São palavras de uso frequente.
Se tiver alguma dúvida, envie.



quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Veja por que palavras como mini-hospital não estão no dicionário

Lídia Maria de Melo
A consulta a um dicionário costuma suscitar algumas dúvidas, embora as obras mais completas, como a de Aurélio Buarque de Holanda e a de Antônio Houaiss, tragam nas páginas iniciais as suas regras de utilização.
Não pretendo esgotar o assunto nesta postagem.
Por ora, comentarei apenas um caso, porque pode servir de orientação para outras pessoas que enfrentem situação análoga.
Um amigo comentou que não conseguia encontrar um determinado termo no dicionário da Academia Brasileira de Letras. Sua intenção era esclarecer sobre o emprego, ou não, do hífen, em função da recente reforma ortográfica.
Instada a opinar, por outro colega de profissão, expliquei que somente poderia manifestar-me se soubesse que palavra estava no centro da questão.
Ao ser informada de que se tratava de "mini-hospital", pude fazer o esclarecimento que retomo a seguir.  
Um dicionário não tem como regra citar as palavras derivadas.
O verbete registrado no dicionário é "hospital" (vocábulo primitivo).
"Mini-hospital" não é um verbete, assim como o diminutivo "hospitalzinho" também não é. Nesse caso, a consulta sobre a ocorrência do hífen deve ser feita a uma gramática, que traz as regras ortográficas da norma culta.
Quando a palavra ganha uma autonomia, ela pode se transformar em verbete no dicionário. É o que acontece com "minissaia" (neste caso, não há o hífen, porque o prefixo mini- está diante de uma palavra iniciada por "s". Então, junta-se tudo e dobra-se o "s").
"Minissaia" (mesmo sendo derivada) passou a denominar um tipo de saia e não apenas uma saiazinha. Tornou-se uma palavra autônoma e, então, virou verbete.
Já "mini-hospital" ainda não é um vocábulo autônomo, porque não existe uma categoria de hospital com essa denominação. Apenas designa eventualmente um pequeno hospital, um hospitalzinho.
Do mesmo modo, não é caracterizado como verbete o plural da palavra ("hospitais"). 
Em relação à reforma ortográfica, é melhor utilizar as regras, que podem ser consultadas, além de nas gramáticas mais recentes, no site da Academia Brasileira de Letras.
Quanto ao emprego do hífen  em "mini-hospital",  o prefixo mini-, diante de palavras iniciadas por "h" exige o sinal de ligação. O  mesmo ocorre quando mini- se liga a outro termo que começa com "i", em função da repetição da vogal no final do prefixo e no início do segundo elemento (exemplo: "mini-instituto").
Se tiver dúvidas, deixe um comentário ou envie uma mensagem.  

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Tire as dúvidas sobre a existência do verbo medalhar

O velocista jamaicano Usain Bolt medalhou
três vezes na Olimpíada do Rio.
Foto de Fernando Frazão/Agência Brasil - 15/8/2016
Lídia Maria de Melo

Durante a Olimpíada do Rio, comentaristas de emissoras de televisão utilizaram com frequência o verbo "medalhar", para noticiar que algum atleta conquistou um lugar no pódio durante a competição que reuniu 11.303 desportistas de 206 países.
Não demorou para que, nas redes sociais, internautas criticassem o uso desse verbo, sob a alegação de que se trata de um neologismo desnecessário.
Quando se tem dúvida a respeito de uma palavra, a primeira atitude que se deve ter é pesquisar em um dicionário.
Se a palavra estiver registrada como verbete, isso significa que já houve tantas ocorrências a ponto de os lexicógrafos não terem dúvida em oficializar sua existência.
O registro em dicionário, porém, não é o ato que garante a validade de um vocábulo.
A criação de um termo na língua portuguesa é da competência dos usuários do idioma. Ou seja, quem cria palavras são os falantes da língua. Todas as pessoas podem fazer isso, sem que precisem conhecer teoria linguística ou gramatical. Basta que respeitem, mesmo intuitivamente, a estrutura do idioma.
No processo de criação de um verbo, por exemplo, junta-se a raiz de uma palavra às terminações verbais -ar, -er, -or, -ir. Esse procedimento é que permitiu que o compositor e cantor Djavan, na música "Sina", emplacasse o verbo "caetanear", em homenagem ao também compositor e cantor Caetano Veloso. Apenas não será possível a invenção de uma conjugação, como -ur, por exemplo.
A língua é dinâmica, e os verbos são uma lista aberta. Podem surgir a partir das necessidades dos falantes do idioma.
Foi por uma necessidade histórica que a humanidade inventou palavras para designar o pouso do homem na Lua, em julho de 1969. Em Português, por analogia com o verbo "aterrissar", criou-se  "alunissar".
O surgimento de novos termos foi o tema de minha pesquisa para a dissertação de Mestrado, defendida na Universidade de São Paulo (USP), de 1998 a 2001. Minha pesquisa foi desenvolvida em torno da influência dos jornais no processo de formação e disseminação de novas palavras na língua portuguesa.  Pesquisei seis jornais em dois momentos diferentes. 
Quanto ao verbo "medalhar", além de existir nos comentários dos jornalistas esportivos, está registrado no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras e em dicionários, como Houaiss e Aurélio.
Mesmo que não fosse digno de um verbete nos dicionários, sua existência estaria consagrada pelos usuários do idioma.
Então, agora você já sabe, "medalhar", no sentido que os comentaristas usaram na Olimpíada do Rio, quer dizer "ganhar medalha".

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Você sabe o que é "cutruvia" e " catraia"?

Lídia Maria de Melo

Quando alguém me pede o sinônimo de uma palavra, invariavelmente pergunto: "Qual é a frase?".
A pergunta tem fundamento. Uma palavra fora do contexto pode concentrar diversos sentidos (polissemia), ou não ter sentido algum.
O contexto é um conjunto de circunstâncias que ajudam na compreensão de uma mensagem. A partir dele, um fato ou um vocábulo adquire significado.
Na novela Velho Chico, escrita por Benedito Ruy Barbosa, Edmara Barbosa e Bruno Luperi,  e apresentada na Rede Globo às 21 horas, a personagem Luzia costuma usar as palavras "catraia" e cutruvia".
Pelo contexto em que são empregados, não há dúvidas de que a mulher de Santo dos Anjos atribui aos dois termos uma carga semântica bastante ofensiva.

Catraia no Porto de Santos
Catraias atracadas na Bacia do Mercado, em Santos. 
À esquerda, o canal sob o  Porto. Abaixo, catraia.
Desde criança conheço a palavra "catraia". Trata-se de um barco, com um motor, tripulado por uma pessoa, o catraieiro.
Na travessia entre Santos e o distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, a catraia transporta 25 passageiros sentados, além do catraieiro. Em Santos, o embarque (e desembarque) é feito na Bacia do Mercado.
A catraia segue por um canal, sob o cais do Porto, até alcançar o Canal do Estuário para, após atravessá-lo, atracar em outra estação de embarque e desembarque em Vicente de Carvalho.
Quando a maré está baixa, as catraias chegam a atolar no fundo do canal sob o Porto. Quando está alta, os passageiros precisam se curvar, mesmo sentados, para não baterem a cabeça no teto de concreto. Se a passagem fica inviável, a atracação é feita no cais do Porto mesmo e as catraias não chegam à Bacia do Mercado.
Se duas catraias se encontram em direção contrária dentro do canal sob o Porto, a água muitas vezes respinga nas roupas dos passageiros.
 Devido à concentração de óleo, as manchas se revelam quando os respingos secam. A única forma de retirar esse óleo da roupa é esfregar óleo de cozinha no local, até sumir a mancha. Depois, é só lavar.
Não ando de catraia há muitos anos. Acho que há mais de quatro décadas, mas de vez em quando passo perto da Bacia do Mercado e tudo está como sempre.
Voltando ao sentido da palavra "catraia", o que eu conheço nada tem a ver com o empregado por Luzia, em Velho Chico.
A mulher de Santo dos Anjos utiliza o termo para ofender Maria Tereza de Sá Ribeiro, a antiga e eterna paixão de seu marido. E não se trata de uma invenção semântica da personagem.
O dicionário Aurélio Século XXI (edição de 1999) registra "catraia" com quatro acepções, que são:
  1.  barco de pequeno porte; 
  2.  pequena construção, casinhola; 
  3.  meretriz; 
  4.  meretriz de baixa classe.
O dicionário Míni Houaiss (2008) e o Dicionário da Língua Portuguesa Comentado pelo Professor Pasquale (2009) só admitem "catraia" no sentido de barco pequeno.

Cutruvia
Se "catraia" é reconhecida pelos dicionários, inclusive pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), ao menos no sentido de "barco", o mesmo não ocorre com "cutruvia", outro xingamento do repertório de Luzia.
Essa ofensa repetida à exaustão contra Maria Tereza não tem registro no VOLP, nem nos dicionários citados acima.
Segundo o site O Nordeste.com , o Dicionário do Palavrão e Termos Afins, de Mário Souto Maior (2010), registra "cotruvia" (com "o") como prostituta de ínfima classe.
O site Dicionário Informal  apresenta dois conceitos para a palavra:
  1.  Mulher da vida, que se relaciona com homens comprometidos. Meretriz. Amante.
  2.  Pessoa por quem se nutre antipatia. 
Assim, "cutruvia", na linguagem falada, designa prostitutas.
Mesmo que não houvesse registro em nenhum local, seria fácil perceber seu significado. Bastaria prestar atenção à maneira como Luzia se expressa.
O contexto seria suficiente para esclarecer as dúvidas semânticas.


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Na expressão de tempo, não confunda "a" (preposição) e "há" (verbo haver)

Lídia Maria de Melo

O uso de "a" (preposição) e de "há" (verbo haver), na expressão de tempo, costuma suscitar dúvidas, embora não seja necessariamente uma tarefa difícil.

Para não se equivocar, observe as diferenças.

Quando uma pessoa deseja escrever que encontrará outra dentro de um determinado tempo, o enunciado deverá incluir a preposição "a". Desta maneira, por exemplo:

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Emprego do verbo "haver", no sentido de "existir", "ocorrer" e "acontecer", exige atenção

Lídia Maria de Melo

Conjugação de verbo impessoal sempre causa dúvidas. Por isso, é sempre bom recordar o assunto, para evitar má situação, principalmente no âmbito profissional.

O verbo "haver" é um exemplo.
Quando está no sentido de "existir", "ocorrer" e "acontecer", é sempre utilizado na terceira pessoa do singular, independentemente do tempo, do modo ou da forma. Isso se dá, porque, nesse  caso, ele não tem sujeito.

Então, jamais diga: "Houveram muitas situações". Pela norma padrão da língua portuguesa, ditada pelas gramáticas, o correto é: "Houve muitas situações".
  • Se for no tempo presente, use: "Há muitos casos". 
  • No pretérito imperfeito: "Havia muitas reclamações". 
  • No futuro do presente: "Haverá muitas queixas" (forma simples). "Vai haver muitas contestações". "Poderá haver muitas queixas" (formas compostas).
  • No futuro do pretérito: "Haveria muitas pessoas no local" (forma simples). "Poderia haver muitas pessoas no local" (forma composta). 
No sentido de "existir", "acontecer" e "ocorrer",
o verbo "haver" fica sempre na terceira pessoa do singular.
Na imagem, está conjugado indevidamente.


Na forma composta, o auxiliar segue a impessoalidade do "haver", que é o verbo principal. Nos exemplos acima, os auxiliares são: "poder" e "ir".  

Quando exerce a função de auxiliar, o verbo "haver" é flexionado, ou seja, é conjugado em todas as pessoas.
 Exemplo:
  • "Os funcionários receberam abono, porque haviam feito hora extra". (Nessa frase, "haver" é auxiliar de "fazer").

Quando tem outros sentidos (que não sejam "existir", "acontecer" e "ocorrer"), o verbo "haver" também é conjugado.
Esses sentidos são pouco usuais, mas na área de Direito costumam aparecer.

Fique atento. 

sábado, 9 de julho de 2016

Veja como abreviar as palavras "professor" e "doutor". Elas não terminam com a letra "o".

Lídia Maria de Melo

A abreviação da palavra "professor" é prof., segundo o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), da Academia Brasileira de Letras. 
A de "professora" é profª., com "a" no fim, porque "professora" termina com a vogal "a".
As mesmas regras valem para os vocábulos "doutor" (dr.) e "doutora" (dr.ª).
Abreviação correta de professor.

Abreviação correta de professora
Nos últimos tempos, virou uma febre incluir indevidamente um "o" no final de prof. e de dr..
Pessoas gabaritadas têm cometido essa impropriedade e acabam criando seguidores.
Porém, esse "o" não existe na abreviação de "professor" e "doutor", afinal a palavra correta não é "professoro", nem "doutoro".

Abreviação errada de professor.

Abreviação errada de professor.
Em 2013, uma peça de teatro, protagonizada pela atriz Jandira Martini, mostrava as duas formas corretamente escritas em seu título. Então, siga o exemplo:


*******
Esta postagem foi originariamente publicada por mim no Blog da Lídia Maria de Melo  em 1.º de junho de 2014.
Se tiver alguma dúvida, deixe sua pergunta ou seu comentário.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Bilac deu à língua portuguesa o apelido de "última flor do Lácio"

Lídia Maria de Melo

Na região do Lácio, na Roma antiga, falava-se o latim vulgar, língua dos povos incultos: soldados, camponeses e pessoas sem título de nobreza. Nobres e intelectuais expressavam-se com o latim clássico, enquanto os integrantes do clero usavam o latim eclesiástico.

Quando os romanos chegaram à Península Ibérica, no século III antes de Cristo, levaram com eles o latim vulgar, que se misturou ao idioma local, originando assim um substrato, a língua celta. Após a queda do Império Romano (Século V d.C.), desenvolveu-se o dialeto denominado galego português.

Aí está, pois, o berço do idioma que falamos atualmente, tanto no Brasil, quanto em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé  e Príncipe e Timor Leste, além das localidades Goa (Índia) e Macau (China).

A denominação Flor do Lácio surgiu com o primeiro verso do poema "Língua Portuguesa", do brasileiro Olavo Bilac (1865-1918), que assim diz: " Última flor do Lácio, inculta e bela". Com a perífrase, o poeta faz alusão ao fato de a  língua portuguesa ter sido o derradeiro idioma neolatino criado a partir do latim falado pelos soldados da região do Lácio.

(Se desejar, deixe seu comentário).